Depoimento de Leandro Konder no ato de 10 anos da EEP
Enviado em 18 de Novembro de 2009
Publicado por Expressão Popular | Enviar por e-mail
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Antes de mais nada, ao saudar a presença aqui de tantos bravos companheiros, devo observar que nós, como grupo que somos, ficamos reduzidos por nossos adversários à categoria dos insensatos, dos bizarros.
Estamos numa fase difícil, na qual os preconceitos se abatem sobre nós e nos condenam. Imagino, porém, que isso não vá durar muito. A atitude dos conservadores, voltando a ser mais franca, facilita a nossa percepção de que eles são pseudo intelectuais movidos por interesses e desejos particulares.
Recordo-me do político francês, George Clemanceau, que sustentava que a democracia dava às pulgas o poder de comer os leões. Ele, evidentemente, se contava entre os leões e manifestava frustração por não estar, ainda, sendo comido pelas pulgas. Na verdade são os leões que se matam uns aos outros nas arenas do capital bancário e industrial. Para evitar o aniquilamento, os leões da burguesia procuram “entortar” as realizações no plano da cultura.
A pressão da burguesia abrange a ciência, as artes, o entretenimento, a sensibilidade e a razão. Ultimamente se abriram brechas para nós relembrarmos que a sociedade continua a ser marcada por uma insuportável desigualdade e por movimentos de repulsa das classes dominantes ao espírito da Arte.
Não é preciso nem um saber especial para notarmos esses fenômenos dolorosos. Temos em comum aqui nesta mesa a adesão a organizações de esquerda. Sabemos que elas atraem, de fato, como observa a direita, grande número de “louquinhos”. Mas são os “louquinhos do bem”, generosos, inquietos e solidários. O “lado de lá” se empenha em convocar profissionais contratados, que aceitam sem discuti-los, os critérios de mercado.
Para encerrar minha fala, conto-lhes uma historinha do meu pai, Valério Konder. Um dia nós vínhamos caminhando pela rua Visconde de Pirajá, quando encontramos um conterrâneo de Santa Catarina, que era um homem muito rico e saudou meu pai efusivamente.
Disse ele então que sabia das idéias comunistas do dr Valério, mas não o acompanhava na sua opção política porque convicções cristãs estavam arraigadas no seu coração. Ao dizê-lo, batia com a mão no peito. Meu pai, maliciosamente, preveniu-o: “Você não está batendo no seu coração e sim na sua carteira”!